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A perversão do consumismo

Igreja Batista em Quitaúna
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A perversão do consumismo
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Mateus 06:31-33

André Anéas

Ceia, liturgia e experiência

Igreja Batista em Quitaúna
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Ceia, liturgia e experiência
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Mateus 26:26

André Anéas

Que o pó se agrade de nós

Meditações no Eclesiastes 1.4

Da mesma forma como tudo não passa de sopro e vento, assim são as gerações, puro movimento. Elas vêm e vão, como as ondas do mar as gerações são constituídas, destituídas e substituídas, em uma dialética infinita, sem limites, sem perspectiva de fim. Uma eterna dança geracional, fluindo o humano nesse mundo que insiste em permanecer, enquanto tudo nele se move e se esvai.

Que o sábio quer nos dizer a partir dessa constatação? Que podemos inferir a partir de suas sábias palavras? Primeiramente, que não podemos nos superestimar. Nós, enquanto indivíduos de uma geração não somos os “salvadores da pátria”. Muitas gerações vieram antes de nós. Muitas virão após nós. Tudo isso em pouquíssimo tempo, uns 75 anos, quem sabe. Que são 75 anos para os 13.8 bilhões de anos do universo? Um cisco de nada. Em segundo lugar, para aumentar a nossa humildade, aquele que busca entendimento afirma que a terra permanece. Nessa supervalorização que fazemos de nós mesmos, especialmente nós enquanto indivíduos do “contemporâneo”, somos conduzidos a perceber que a terra, a natureza, a fauna, a flora, o cosmo como um todo, é uma constante. Embora em movimento, há uma permanência. Embora complexo, há um ritmo. Embora não existam linhas retas, há um compasso determinado em cada lei natural. Embora misterioso, há uma solidez fundamental. A natureza vem antes de nós e permanece após a nossa morte. Somos mais da terra do que a terra é nossa. Parece existir aqui a oportunidade para a humildade contemplativa da criação florescer. Isso não significa a inércia do humano ou a sua indiferença frente a vida. Tanto o primeiro como o segundo argumento nos levam para o terceiro e último ponto dessa brevíssima reflexão: a vida precisa ser vivida com diligência e sabedoria.

Em nosso curto espaço de tempo e dada a insignificância das mudanças que podemos fazer na existência, devemos nos perguntar qual seria, portanto, a nossa humilde contribuição em nossa geração que passa como o vento? Sim, contribuição. Vocabulário mais adequado para um humano que deve se portar humildemente na existência. Ora, devemos pensar em contribuição e não em destruição. Gerações vêm e vão, mas até quando? A terra que permanece já sinaliza seu incômodo com gerações insuportavelmente incômodas de nós. Consomem, destroem, matam. A “terra” tem clamado por esse “sangue” a tempos. Não parece existir sabedoria nesse caminho suicida. Aquela que é antes de nós – a “terra” – poderá nos vomitar, pois é mais forte e sua sabedoria ultrapassa a idade de nossa humanidade. Assim, a contribuição que devemos dar deve se bem refletida, bem pensada.

A vida não é coisa pequena, embora não passe de vento para nós. Cada instante da vida precisa ser vivido de modo a contribuir com nossos representantes no futuro. Que poema deixaremos escrito? Que tipo de arquitetura deixaremos de herança? Quais serão as manifestações artísticas que produziremos para que os humanos do futuro possam admirar? Que tipo de literatura, quais conquistas, quais melhorias? Nossa geração passará e outra chegará. Será que a nossa trará algo de significativo? Será que nossas vidas que passam deixaram algum tipo de legado? Ou será apena um instante insignificante para que vem depois? Ou, pior, será uma contribuição negativa, piorando o futuro? Ao voltarmos ao pó, que o pó se agrade de nós.

André Anéas

A ética de Jesus

Igreja Batista em Quitaúna
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A ética de Jesus
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Mateus 05-17

André Anéas

Enquanto estamos vivos

Meditações no Eclesiastes 1.3

Nessa vida que é uma névoa, um vento, uma constante mudança e transitoriedade, o sábio se questiona acerca do esforço árduo do humano debaixo do sol.

O trabalho é o empenho de nossas energias em uma determinada atividade. Investimos o nosso tempo, mente e músculos para alcançar um objetivo. Construir uma casa, desenvolver o código do um software, plantar e colher, dirigir um carro de aplicativo, vender algum produto, comprar outros, administrar algum negócio e assim por diante. Normalmente se acorda cedo para o trabalho, 5 ou 6 horas da manhã. O relógio desperta após um fim de semana de descanso. É segunda, a semana só começou. Transporte público ou carro, trânsito, sair cedo e voltar tarde. Tentar descansar do dia longo, pois amanhã tudo se inicia de novo, até a sexta. Novamente o descanso e tudo se repete. Chefe, reuniões, compromissos, horários determinados. “Mas as férias estão chegando”, pensamos dentro de nós no turbilhão da correria da vida. Nos nossos dias está melhor do que no passado. As jornadas de trabalho um dia foram desumanas de forma generalizada. Mulheres e crianças eram submetidas a situações de risco e desumanas. Um dia foi ainda pior! Submetidos por um autocrata, um rei, um ditador, um burguês, um dono de escravos, humanos trabalhavam sem opção, sem sonhos, sem perspectivas. A força de trabalho nem era vendida, tão somente usurpada pelos poderosos.

O sábio, em sua corajosa observação, coloca a sua questão: se a vida é uma névoa que se dissipa, qual o sentido de todo esforço humano? O que esse humano que tanto trabalha ganha? Para que despender suas horas, criatividade e energia se tudo passa? O que resta? O que vale a pena? Para que tanto sofrimento? Todos precisamos trabalhar, ter o nosso sustento, comprar comida, ter uma moradia, cuidar de filhos… Isso é óbvio. Mas a comida acaba, a moradia se desgasta, os filhos se casam. Tudo se dissipa… Para que tanto esforço e trabalho? Talvez alguém responda: para o lazer, pela qualidade de vida, para dirigir um carro bonito, para viajar para algum lugar legal nas férias. Obviedade. Tudo isso acaba também. Para quê tanto e esforço e dedicação se a vida é um sopro? Quem está em busca de entendimento aqui parece ter percebido que essa lógica de que somente o que é útil pode fornecer sentido está totalmente equivocada. O utilitarismo não é capaz de subsidiar o nosso esforço, pois tudo o que compramos quando vendemos nossa força de trabalho se desgasta, quebra, passa, morre. Esse parece ser o ponto: nosso trabalho e suas recompensas não devem ser um fim em si mesmos. Nosso suor que compra algum tipo de experiência ou algum bem material não supre nossa alma. É trabalho pesado jogado no lixo. Qual a alternativa?

Parece possível pensar que o sentido está nos instantes que vivemos ao longo da vida, inclusive de uma vida de trabalho pesado. Cada momento que está indo embora está abrigando o sentido mais profundo da existência. A vida em si mesma pode ser vista como o sentido. Vivê-la enquanto se trabalha, enquanto se descansa, enquanto colhemos o fruto do nosso esforço. Mas não é o trabalho, o descanso ou o esforço. O que vale a pena é, tão somente, podermos discernir o instante em que o suor escorre nos nossos rostos enquanto estamos vivos.

André Anéas

Apocalipse e os ventos de doutrina

Igreja Batista em Quitaúna
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Apocalipse e os ventos de doutrina
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Efésios 04:14:15:16

André Anéas

Para além de um sopro

Meditações no Eclesiastes 1.2

“Vaidade de vaidades” é a expressão mais emblemática do livro de Eclesiastes. O sábio, esse que está em busca, diz que tudo é “vaidade”. Que isso significa?

Traduções que buscam captar o sentido mais profundo do termo em hebraico falam em “vazio”, “sopro” e “névoa”. Tudo, na ótica do escritor-pensador é, portanto, uma espécie de neblina que se dissipa (pegando carona no texto de Tiago 4.14), algo que não vale a pena. Imediatamente somos surpreendidos por essa afirmação contundente. Será que a vida não teria sentido? Será que a existência é uma aleatoriedade? Será que não há razão alguma para vivermos? É sempre necessário lembrar que quem escreve o faz com a coragem de afirmar coisas que observou e refletiu por anos, revisitando recorrentemente os pensamentos a partir da realidade que se vê com muita atenção. A afirmação do sábio, não deve ser acatada como equivalente a ideia de que a vida não tem sentido. Mas, conforme as percepções mais adequadas do texto nos ajudam a discernir, que a vida é um “vazio”, “sopro” e “névoa”. Sendo a vida essa “neblina”, algo que “não vale a pena”, os olhos de quem pensa podem observar algo que está para além das aparências. Em outras palavras, somente quando detectamos que tudo não passa de um sopro somos capazes de discernir aquilo que, de fato, vale mesmo a pena ou que se sustenta para além do vento, do ar e da névoa que se esvai.

A reflexão que estamos sendo conduzidos nos leva para a percepção de que as razões que justificam a existência não são tão óbvias. Somente quando temos a capacidade de olhar para tudo e ver um “nada”, conseguiremos ver, de fato, o que importa. Estar dentro desse movimento é assumir a caminhada em sua paradoxalidade – ser ou não ser; bonito e feio; eterno e finito; alegria e tristeza; presença e saudade; vida e morte; festa e luto; etc. –, característica da própria vida que muitas vezes nos assustam e chocam. Lidar com esse turbilhão de contradições dentro da caminhada pode fazer com que sedamos à tentação de “escapar” do problema. Ou, encontrar sentido em tudo: no dinheiro, no emprego, no sucesso, no consumo, no carro do ano, na rotina, na vida religiosa, etc. Justificar a vida a partir de obviedades, que nos ajudam a fechar os olhos para aquilo que o sábio insiste em querer que vejamos: nada faz sentido ou nada vale a pena. Reforço: somente quando temos coragem de perceber que as coisas que podem ser os “atalhos” para o sentido da vida não têm sentido, é que conseguimos encontrar sentido no que realmente importa nesse mundo efêmero.

A questão não é o jantar caro, mas a companhia; não é a família perfeita, mas o amor; a questão não é sobre o quanto ganhamos em nosso emprego, mas a satisfação interior de exercer nossa criatividade; não é a religião, mas a fraternidade; não é o tempo, mas os prazeres e as saudades; não é sobre os bens, mas sobre a generosidade e a gratidão; não é sobre ontem ou o amanhã, mas sobre o instante. É somente na relativização do obvio que habilitamos nosso olhar para discernir, para além das obviedades, os entrelugares de sentido de um mundo sem sentido, para além de um sopro.

André Anéas

Sem medo de amar

Igreja Batista em Quitaúna
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Sem medo de amar
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Isaías 53: 02-05

A busca corajosa

Meditações no Eclesiastes 1.1

O escritor do livro de Eclesiastes, independentemente de quem seja de fato, se coloca como um “mestre” ou, em outras palavras, “alguém que está em busca”. Sim, pois ser um mestre, um pensador, um filósofo e, inclusive, um teólogo, significa ser alguém que tem coragem para se colocar em uma busca pela Verdade. Isso não significa encontrá-la literalmente de modo absoluto. Significa uma disposição interior e honesta de estar nesse caminho investigativo acerca de tudo o que existe diante dos nossos olhos e, também, dentro das nossas almas.

O que é a vida? O que é a existência? Quem somos nós? Qual o sentido do nosso esforço diário? O que são as alegrias e prazeres cotidianos? Afinal, qual o sentido da vida? O livro do sábio, esse que sabe, é o livro de alguém que mergulhou na arte de perguntar, de observar e analisar as coisas do mundo ou, melhor dizendo, da vida. Nessa busca não há pressa. Há tempo, muito tempo de observação, de um olhar atento e depurado sobre como as coisas verdadeiramente são. Reforço: ser um “sábio” nesse sentido envolve coragem. Por quê? Coragem para encarar de frente a realidade da existência, correndo o risco do solo seguro que sustenta as nossas justificativas da vida ruir e ficarmos sem chão. Coragem para, uma vez sem o chão dos nossos sistemas de plausibilidade, repensarmos nossos conceitos, ideias, teologias, filosofias e pensamentos. Reajustar, fazer novas sínteses e, até mesmo, jogar fora o que não nos serve mais. Não se trata de um exercício pontual, mas sim de uma disposição permanente de rever nossas dúvidas e respostas. Aliás, coragem para assumirmos as dúvidas e interrogações como coisas boas. Afinal, somente duvidando e questionando seremos capazes de amadurecermos. Coragem para mudarmos de rota e de norteadores em nossa caminhada. Coragem para deixar o velho para trás, preservar as lições aprendidas e criar o novo no tempo que se chama hoje. Coragem para duvidar de si mesmo (e rir um pouco também). Coragem de não aceitar as obviedades e clichês. Coragem para se reinventar, assumindo-se como um alguém que é capaz de se metamorfosear enquanto se anda no caminho de quem não tem medo de pensar. Esse é o grande convite do sábio: adentrar uma intensa, incessante e corajosa busca que, em si mesma, já produz em nós o sentido de viver e que tem o potencial de abrir os nossos olhos para o que está diante dos nossos narizes e não somos capazes de ver.

Que seus olhos sejam abertos, caso tenha coragem de viver a aventura de pensar a vida.

André Anéas

Desigrejado igrejado

Igreja Batista em Quitaúna
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Desigrejado igrejado
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1º Corintios 11:28

André Anéas